Sciere vislumbra três possíveis cenários para o setor bancário em 2023

Fonte: Convergencia Digital
Data: 12/06/2008

Edson Fregni, sócio-fundados da Sciere Consultores Associados, apresentou durante o congresso da CIAB 2008 o estudo "Cenários Sciere 2023". A análise formula três visões possíveis para o ambiente dos bancos brasileiros de varejo 15 anos à frente. Impactados pelo desenvolvimento da tecnologia da informação, pelos surpreendentes processos da Web 2.0 e fatores ligados ao ambiente e sustentabilidade, desenvolvimento econômico e político-social, os bancos, em 2023, poderão enfrentar três cenários distintos.


O cenário da continuidade das condições atuais, chamado de Velhas Fronteiras, não terá muita mudança com relação ao que se vê hoje, com os bancos grandes crescendo ainda mais e o setor se concentrando em um grau maior. Segundo Fregni, neste cenário, os bancos continuarão conservadores, admitindo apenas inovações incrementais, principalmente em produtos, canais e segurança. Aqui os canais se desenvolverão pela adoção de novas técnicas automáticas de interação com clientes, como o reconhecimento e processamento de linguagem humana, de fala e de imagem.

No âmbito da segurança, a biometria virá ao encontro daqueles em busca de sistemas ao mesmo tempo mais seguros e que não incomodem o usuário. Enquanto isso, o natural desenvolvimento dos computadores e sistemas provocará a redução dos custos transacionais e o desenvolvimento de modelos mais complexos para análise de dados e gestão de risco. Além disso, nas Velhas Fronteiras, a adoção de processos online deverá se expandir, sendo limitada pelas dificuldades econômicas e culturais dos clientes. Isso porque haverá um grande crescimento no grau de conectividade de pessoas e dispositivos, um aumento na velocidade de comunicação e menores custos computacionais.

Passando para o segundo possível cenário, Fregni diz que dependendo da composição de certos fatores, em especial dos fatores sócio-políticos e econômicos, os bancos poderáo viver num ambiente de alta diversidade de empresas e de muita criatividade da indústria, caracterizando aquele cenário que a Sciere chamou de Novos Horizontes. Este será um cenário de grande expansão da indústria financeira, provocado pelo enorme crescimento e modernização da economia brasileira. O aspecto mais marcante deste cenário, conforme destaca o consultor, é que a indústria de serviços financeiros de varejo deverá se formar por redes de parcerias entre empresas especializadas, lideradas pelos bancos.

A maior dificuldade enfrentada pela indústria neste cenário será o fato de que a geração digital (as pessoas que nasceram e cresceram no ambiente da internet e do computador) estará ingressando no mercado de forma massiva. "É uma geração que dá pouco valor a marcas e se apóia muito mais na opinião e em relatos de experiências de conhecidos e de pessoas de sua comunidade", destaca Fregni.

Ainda neste cenário, os bancos terão recursos e a adequada articulação com os demais agentes sociais e econômicos para liderarem a todos na batalha das causas ambientais e de sustentabilidade. "É a oportunidade que a indústria financeira tem de conquistar uma melhor imagem perante a sociedade", afirma.

Finalmente, o cenário "Tempos Precários" mostra que em certas condições, o ambiente poderá de desdobrar em um ambiente de crise, com muita competiçao em preços e alta intervenção do Estado. Fregni explica que o primeiro aspecto que se pode imaginar neste cenário são os reguladores com atitudes autoritárias e arbitrárias, buscando agradar os setores da sociedade que lhes dão sustentação. Os preços dos serviços bancários poderão ser tabelados e até reduzidos a zero.

Neste ambiente, a inovação será incremental, porque a aversão ao risco será marca dessa época. Segundo o estudo, a automação e a redução de custos pela simplificação de produtos serão a tônica do setor. Além disso, os agentes reguladores terão aqui uma enorme influência nas ações dos bancos. O que se pode imaginar é que o primeiro desses impactos será o requerimento da bancarização da população de baixa renda como norma obrigatória.

O regulador poderá ainda estimular a criação de bancos comunitários, com incentivos fiscais., Fregni cita como exemplos, possíveis instituições, como o banco dos funcionários da Câmara Federal ou dos artesãos do nordeste. Além do que o órgão regulador poderá interferir nas políticas de crédito dos bancos, impondo exceções e forçando para baixo as taxas de juros.

Este cenário, apesar de negativo, traz algo de bom: a indústria se tornará, ao final, mais eficiente, mais robusta e mais alinhada às dificuldades sociais do País.

Fregni encerra dizendo não saber se algum desses cenários de fato se estabelecerá, nem, caso isso aconteça, se de fato derá em 15 anos. Resta então aguardar e ver o que nos reserva o mercado das instituições bancárias. "A tendência mais provável é a de um aumento do poder dos clientes e comunidades. Mas a incerteza é se esse fortalecimento marcará ou não uma alteração no ambiente bancário brasileiro", diz Fregni, que acredita que o primeiro dos cenários, aquele que mantém as coisas mais ou menos como são hoje deva prevalecer. "O cenário é o mesmo há 50 anos", ironiza.

 
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