Perfil do setor bancário não deve mudar em 15 anos

Fonte: Tele Síntese
Data: 11/06/2008

Um estudo inédito no Brasil, apresentado hoje no congresso Ciab 2008 pelo consultor Edson Fregni, da Escola Politécnica da USP e da Sciere Consultores, formula três cenários possíveis para o ambiente dos bancos brasileiros de varejo daqui a 15 anos. Impactados pelo desenvolvimento da tecnologia da informação, pelos processos da Web 2.0 e sua evolução, os bancos, em 2023, possivelmente viverão o cenário da continuidade das condições atuais, chamado de velhas fronteiras, ou seja, não terá muita mudança com relação ao que vê hoje, com os bancos grandes crescendo ainda mais e o setor se concentrando em um grau maior.

Os outros dois cenários, pouco prováveis, segundo Fregni, dependem da composição de certos fatores, e podem levar ao cenário chamado de novos horizontes ou ao cenário denominado tempos precários. De acordo com o consultor, o cenário “novos horizontes” depende de fatores sócio-políticos e econômicos, que poderão levar os bancos a viver num ambiente de alta diversidade de empresas e de muita criatividade da indústria. Isto ocorreria se houvesse a polarização entre as organizações financeiras e seus clientes, com os agentes reguladores “mais afastados do mercado”. Já o terceiro, e pouco provável, conforme enfatizou Fregni, ocorreria num ambiente de crise, com muita competição em preços e alta intervenção do Estado. Neste cenário, a polarização se daria entre os agentes regulatórios e os clientes e a indústria financeira perderia seu papel de influência.

Para que, em 15 anos, prevaleça o cenário de velhas fronteiras, da continuidade, as regras do mercado continuarão sendo ditadas pelos reguladores e pelas organizações financeiras; e os clientes continuarão desempenhando um papel de "inércia". Apesar de ser um cenário de continuidade, a adoção de processos online deverá se expandir, com serviços pela internet, fixa e móvel, ou por unidades de respostas audíveis (URAs). “Nesse cenário, as centrais telefônicas assistidas serão utilizadas apenas para situações excepcionais e, as agências, para situações especiais de relacionamento”, explicou Fregni. Conforme o estudo, para ter sucesso neste cenário, as empresas terão que ter clareza em suas estratégias, forte liderança, foco em aquisição e retenção de clientes, presença física nos quatro cantos do Brasil e canais online eficientes e modernos, além de capacidade para incorporar inovações e tecnologia.

Investimentos

Dados da Febraban, que realiza o congresso Ciab, mostram que, em 2007, os bancos investiram R$ 6,2 bilhões em tecnologia, um incremento de 16% sobre o ano anterior. A maior parcela dos recursos, 40%, foi para novos investimentos; 15% foram gastos com serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas prestados por terceiros, e 13% foram despesas com o desenvolvimento de software “in house”. As despesas com equipamentos que, no passado, representavam a parcela mais pesada do orçamento de TI das instituições financeiras, hoje representam apenas um terço do total.

 
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