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A terceira face do legado |
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Fonte: Revista Melhor Data: 18/06/2008
O universo de TI transforma-se tão rapidamente que o conceito de "legado" tornou-se muito difundido em sua comunidade. Entenda-se: em TI, legado é o que se herda do passado e que, portanto, encontra-se desatualizado. Renová-lo é um grande desafio técnico e gerencial. Isso se torna um problema maior porque as empresas precisam permanecer em operação durante a troca de sistemas e infra-estruturas técnicas.
O legado está sempre desatualizado - o novo é melhor, mais rápido, mais econômico, mais poderoso. Quem acompanha a área de sistemas sabe que existe um enorme esforço dos profissionais para lidar com esse impasse. E substituir o legado é também um grande negócio, um investimento muito alto.
Com os sistemas aplicativos, as dificuldades são maiores porque na maioria dos casos eles foram desenvolvidos pela própria usuária. Sua substituição implicará um grande trabalho de desenvolvimento de novos sistemas. Mesmo assim, renovam-se sistemas com muita freqüência. Estudos realizados na Noruega (springerlink.com) estimaram que a vida média dos aplicativos das empresas reduziu-se de 11 anos (em 1983) para seis (em 2003).
O legado tem uma terceira face, invisível para muitos: a dos profissionais de TI. Da mesma forma que os sistemas e a infra-estrutura de TI, com o passar do tempo, esses profissionais tornam-se desatualizados. Basta lembrar que, em 1993, falava-se em "client-server" e as bases de dados relacionais estavam chegando ao mercado impulsionadas pelo famoso DBase III. As plataformas RISC eram a promessa da época com o sistema operacional Unix. Hoje, existe a internet, os web services, o software livre, a arquitetura orientada a serviços e outras técnicas e conceitos que não existiam no tempo em que a quase totalidade dos profissionais, atualmente responsáveis pelas áreas de TI das empresas, se formavam nas escolas.
A maioria dos profissionais não tem tempo para se manter atualizada em assuntos que não aqueles com os quais está diretamente envolvida. Pesquisa da Escola de Administração da Universidade de Kansas, nos EUA, de 2003, diz que a idade média dos profissionais de TI das empresas norte-americanas era de 40 anos. Isso mostra que o problema de atualização não se limita a sistemas e infra-estrutura. As pessoas também precisam se atualizar. Não nos iludamos: a solução de renovação que atende as duas outras faces do legado não funciona aqui. A substituição dos mais velhos por recém-formados, mais atualizados tecnicamente, é péssima saída. Não se pode abrir mão da maturidade profissional pela mera atualização técnica.
Ao nos darmos conta de que a maioria dos profissionais maduros está desatualizada e a maioria dos atualizados é imatura, vemos que a única forma de lidar com a terceira face do legado é adotar um extenso e consistente programa de atualização de seus técnicos. Os que militam nesse mundo, onde a complexidade cresce a razões geométricas e os conhecimentos tidos como sólidos se dissolvem rapidamente, devem dar-se conta de que, da mesma forma como os sistemas, um profissional de TI nunca está acabado, mas permanece indefinidamente na fase beta, em evolução.
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