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Fonte: Informática Hoje Data: 18/07/2008
O CIO de banco anda atrás de funcionários especiais para a área de TI: gente capaz de se colocar no lugar do cliente, e capaz de transferir suas boas qualidades para dentro dos sistemas. Tem sido difícil achar gente assim; em todo caso, tem sido difícil administrar a equipe de TI. Ela é muito grande. Muitos membros foram contratados recentemente. Mesmo assim, o CIO precisa desses funcionários especiais, porque precisa ajudar o banco a se preparar para o futuro. No Ciab 2008, realizado em São Paulo em junho, o pessoal discutiu os três cenários possíveis para 2023.
Três Cenários
Para montar uma equipe de TI com foco no negócio, primeiro o CIO precisa conhecer a equipe de TI muito bem. Muitos CIOs conhecem mal a equipe de TI. Laércio, do Banco Votorantim: há dez anos, o banco empregava 200 pessoas. Hoje emprega 6 mil pessoas. Em média, o banco contratou 50 pessoas todo mês. “Não dá para conhecer os funcionários direito; os bancos estão muito grandes.”
Se o CIO pretende ajudar o banco a durar bastante, precisa resolver outro problema difícil: montar uma equipe de TI com foco no negócio... mas sem conhecer direito a equipe de TI.
Edson Fregni, sócio-fundador da Sciere Consultores Associados entrevistou umas 100 pessoas do setor financeiro para montar três cenários para 2023. O projeto foi batizado de B15F – Bancos 15 anos à Frente, e contou com o apoio da Federação Brasileira de Bancos. Em qualquer um dos três cenários, o CIO vai precisar de gente especial na equipe de TI.
Velhas Fronteiras - É o cenário mais provável, diz Edson. Nesse cenário, as duas forças mais importantes são as instituições financeiras, de um lado, e os órgãos reguladores, de outro. Clientes e comunidades têm pouca força – tal como hoje. Nesse cenário, os bancos continuarão conservadores, e muito parecidos uns com os outros. Haverá bancos cada vez maiores, e cada vez menos bancos, porque a economia de escala faz diferença: quanto maior o banco, maior o lucro. A inovação será ditada pelos fornecedores. Será importante colocar o maior número possível de serviços na Internet. Para se dar bem nesse cenário, diz Edson, o pessoal do banco precisa escrever uma estratégia bem clara para: ganhar mais e mais clientes, levar mais e mais serviços para a internet, incorporar novos sistemas e novas tecnologias mais facilmente.
Novos Horizontes - É um cenário de primeiro mundo. Quando as pessoas falam do futuro dos bancos, pensam nesse cenário, embora ele seja menos provável que o cenário Velhas Fronteiras. As duas forças mais importantes desse cenário são as instituições financeiras, de um lado, e os cliente, do outro. Órgãos reguladores, só observam, pois quase nunca precisam intervir. Nesse cenário, o banco vira uma marca, em torno da qual gira um ecossistema inteiro de empresas especializadas em serviços de nicho. A palavra-chave é colaboração entre funcionários do banco e funcionários de muitas outras instituições e clientes. Para se dar bem nesse cenário, o pessoal do banco precisará fazer alianças, conhecer os clientes bem, imaginar uma boa estratégia para cada canal; e precisará dominar a TI. É um cenário em que a equipe de TI deve aprender a dominar a complexidade da TI.
Tempos Precários - É o cenário menos provável, diz Edson, porque pressupõe uma crise séria no Brasil e no mundo. As duas forças mais importantes são órgãos reguladores, de um lado, e os clientes, do outro – mas representados por políticos, ONGs. Os órgãos reguladores tendem ao autoritarismo, para agradar seus financiadores. Para se dar bem nesse cenário, o pessoal do banco vai focar e vai cortar custos todo dia. Inovar será a mesma coisa que baixar custos.
Se o CIO pretende ajudar o banco a durar bastante, precisa resolver um terceiro problema difícil: sem conhecer direito a equipe de TI, o CIO precisa montar uma equipe com foco no negócio e precisa fazê-la se parar para os três cenários – ao mesmo tempo. “Montar cenários”, diz Edson Fregni, “não é a mesma coisa que adivinhar o futuro. É imaginar os futuros mais prováveis.” Uma equipe de TI deve se preparar para o cenário mais provável mas também deve preparar, tanto quanto possível, o plano B e o C.
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