Bancos reabrem os cofres para TI

Fonte: Computer World
Data: 15/06/2011

Edson Fregni esclarece, nesta entrevista, que as resistências à técnica cloud computing ainda ocorrem no mercado de bancos. “Primeiro, porque as nuvens públicas não oferecem a segurança requerida, e construir uma nuvem privada em nada se distingue de contratar (ou ter o próprio) serviço de hospedagem”, afirma.

Os serviços de pagamentos e recebimentos da rede bancária brasileira estão entre os mais eficientes e modernos do mundo. Isso porque o investimento em alta tecnologia sempre foi quase que um mantra no setor, para garantir posições privilegiadas em uma arena de forte concorrência.

Mesmo em um cenário de crise, observamos evolução da tecnologia nos sistemas bancários no Brasil, de acordo com o professor de Finanças da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Samy Dana. “Um dos exemplos é a Compensação Digital de Cheques [elimina a troca física de cheques com o uso de imagens], que entrou em vigor em meados de maio deste ano e para isso consumiu investimentos desde 2008.”

E não para por aí. A atenção atual dos bancos volta-se para tecnologias que estão mobilizando gestores de TI de empresas de variados setores da economia nacional: virtualização, business analytics, mobilidade, telecomunicações e digitalização. Recursos que já habitam muitos deles, mas que agora ganham força por meio da aceitação e amadurecimento em aplicações cada vez mais nobres.

A pesquisa Tendências e Principais Desafios de TI no Setor Financeiro Brasileiro, divulgada em março deste ano pela consultoria IDC, indica que, na comparação com 2010, cerca de 42% dos entrevistados acreditam que os investimentos em TI serão maiores em 2011. Metade dos participantes entende que os investimentos deverão ser iguais e apenas 3% preveem investimentos inferiores.

O estudo, que envolveu executivos de 62 instituições financeiras que atuam no País, aponta que entre as prioridades de negócios para o ano, na opinião dos executivos, estão, pela ordem, aumento de eficiência, receitas e portfólio. Quando o tema são iniciativas ligadas à inovação, a maioria tem como prioridade a criação de produtos e serviços, novas formas de relacionamento com o cliente e reformulação no atendimento nas agências, além de novos modelos de precificação.

Para o setor financeiro, novos serviços e tecnologias significam maior eficiência operacional, maior racionalização dos custos e aumento de receitas. Em resumo, tornam os bancos mais competitivos. Esses aditivos de TI estão sendo amplamente utilizados nas relações com os clientes, proporcionando formas diferenciadas de interagir e engordando carteiras. Além disso, também são instrumento para a bancarização da população, uma das maiores necessidades do mercado brasileiro, na opinião do Banco Central.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2010 os gastos do setor com TI atingiram 22 bilhões de reais, crescimento de 15% sobre o ano anterior. As despesas com tecnologia ficaram em 15,4 bilhões de reais, aumento de 13% sobre 2009 e os investimentos na área alcançaram 6,6 bilhões de reais, valor 19% superior.

O diretor de Tecnologia da Febraban, Gustavo Roxo, lembra que em 2010 houve recuperação dos gastos com TI. “Em 2009, aconteceu retração dos investimentos por causa da crise e os gastos com TI tiveram aumento de apenas 4% em relação a 2008”, diz o executivo, acrescentando que no ano passado as despesas com tecnologia recuperaram a trajetória histórica de forte crescimento.

“Os números mostram que os investimentos em TI saltaram a curva tradicional de despesas do setor, o que significa que os bancos continuam vendo na TI uma importante alavanca para suas estratégias de crescimento.” No período 2007-2010, esses gastos registraram incremento de 33%, confirmando a importância da TI nas estratégias das instituições financeiras.

No ritmo das tendências

Detalhando o balanço realizado pela Febraban em relação ao tema tecnologia, é possível verificar algumas tendências. Um exemplo é o crescimento de investimentos em mainframe para storage. Segundo o estudo da entidade, com os mainframes houve aumento de 31% na contração de Milhões de Instruções Por Segundo (MIPS) em 2010, revelando que os bancos tiveram de investir mais para suprir o crescimento orgânico do setor e a corrida aos dados.

Já a quantidade de terabytes de disco acenou com incremento de 24% no ano passado. Segundo Roxo, a explicação para a expansão é semelhante ao ocorrido com o mainframe. “Além disso, há outra questão importante: o crescimento exponencial entre 2004 e 2010. A capacidade em terabytes cresceu 11 vezes. Qual a razão? A grande demanda por dados dentro dos bancos e a queda do custo do terabyte.”

Roxo diz que atualmente mais do que capacidade de armazenagem, os bancos querem pagar pela velocidade das máquinas. “É fundamental, para conseguir a informação em tempo real.”

Business analytics em alta

“Fazer a gestão de dados ficou mais caro e ganhou maior complexidade. Há uma demanda por maior sofisticação nessa gestão. Antes, a análise de dados gerava informações mensais. Hoje, o interesse é pela captura de informações em tempo real”, informa Gustavo Roxo, diretor de Tecnologia da Febraban. Para ele, é uma tendência que deve ocorrer nos próximos cinco anos.

“Informação online é uma grande ferramenta”, diz e acrescenta que com o Business Analytics (BA) oferecendo informações com agilidade, fica mais fácil a gestão de taxas bancárias conhecer o cliente, saber como o mercado em que os bancos atuam está funcionando, além de ajudar na apuração de fraudes no sistema financeiro. “Com o BA, segmentos com muitas transações, como o financeiro, são mais impactados. Talvez o único que tenha abalo equivalente é o de telecomunicações”, afirma.

O Bradesco possui um departamento exclusivo de CRM (para gerenciar o relacionamento com o cliente), que facilita e agiliza a criação de produtos e serviços de acordo com as expectativas dos clientes, captadas por meio da tecnologia. “Assim, tudo o que oferecemos é sob medida para eles”, diz Laércio Albino Cezar, vice-presidente executivo do Bradesco, destacando que todas as campanhas e criação de produtos são realizadas por meio de prospecções, análises e garimpos usando também BI e BA.

O Bradesco utiliza muitos sistemas para gestão de risco e indicadores inteligentes que facilitam as prospecções de mercado e de crédito, agilizando sobremaneira processos de negócios, segundo Cezar. Eles estão integrados ao CRM e usados na automação da força de vendas. “O CRM está distribuído pelas agências e a equipe de vendas o usa para lidar com o cliente. É um grande gerador de oportunidades de negócios. O recurso é tão eficaz que o índice de assertividade nas ações, e campanhas, é de 60%”, diz.

O líder da Indústria Financeira da IBM para América Latina, Roberto Bisca, destaca que o volume de dados no mundo cresce exponencialmente. No setor financeiro, é preciso transformar esses dados em informação para tomadas de decisão com o objetivo de proporcionar aos bancos fazer a venda de um produto de maneira mais assertiva, de acordo com o executivo.

“Posso conhecer meu cliente com os dados que capturei (perfil e histórico) e serei capaz de oferecer a ele um produto de que, de fato, necessita”, diz. “Você reduz o tempo de resposta ao mercado para atendê-lo, porque fica mais agressivo”, explica. Ele acrescenta que essa gestão diferenciada se traduz em maior eficiência operacional.

O vice-presidente de Tecnologia & Inovação da Itautec, Wilton Ruas, também destaca a importância do BA para ajudar na integração do banco com o cliente. “Cria-se uma ferramenta que identifica quem é o cliente. Assim, o banco o reconhece ao entrar na agência, por exemplo. De posse do seu perfil, é possível oferecer atendimento personalizado”, destaca e afirma que todo esse processo é a inteligência do negócio. “A tecnologia deve ter utilidade prática. Nesse caso, é usada no relacionamento que, acredito, é uma tendência.”

Já o diretor de Vendas da área de Financial Services da Oracle do Brasil, Ciro Coca, explica que o BA pode ir além da melhoria da gestão dos bancos. “Na parte de aplicativos analíticos, essas inovações podem ajudar a atender às necessidades dos bancos em organizar suas estruturas de dados. Com isso, eles podem melhorar a gestão contábil, reduzir a dependência dos seus sistemas legados.”

Para Coca, as instituições financeiras ainda podem reorganizar seus dados para transformá-los em informações destinadas à apuração de resultados, bem como diminuir o tempo de fechamento e aprimorar a gestão para as tomadas de decisão.

Virtualização

A evolução na área de servidores é outro dado importante revelado na pesquisa. A quantidade de servidores centralizados cresceu fortemente até 2008, provavelmente respondendo ao incremento orgânico dos bancos, com grande expansão da demanda por dados.

Nos últimos dois anos, entretanto, houve reversão do movimento e em 2010, com significativa queda de 29% na quantidade de servidores dos bancos filiados à Febraban. O diretor de Tecnologia da entidade, Gustavo Roxo explica que a queda se deu, por um lado, pela consolidação das máquinas, ou seja, compra de equipamentos mais poderosos. No entanto, segundo ele, o processo de virtualização é a melhor explicação para o resultado.

“A queda de 29% não significa que se está usando menos plataformas e mais mainframes, e sim que elas estão em processo de consolidação e virtualização”, diz e alerta que não é mais por número de servidores que se mede a capacidade computacional.

A virtualização já é uma realidade nos bancos grandes, utilizada de maneira intensiva. “É um processo que só tem a crescer nos próximos anos”, afirma Roxo, que já vê a necessidade da Febraban mudar os critérios da pesquisa.

“A virtualização vem sendo adotada há cerca de dois anos pelo setor, mais robusta e avançada. Por conta disso, fica mais difícil contabilizar os equipamentos. No próximo ano, teremos de rever a forma de realizar essa contagem”, afirma. “Afinal, o servidor é uma máquina virtual. Hoje, os profissionais de infraestrutura não sabem dizer quantas máquinas virtuais existem”, completa o executivo da Febraban.

No Bradesco, a tecnologia é mais do que realidade, “é uma necessidade”, de acordo com Laércio Albino Cezar, vice-presidente executivo da instituição. “É fazer mais com menos”, completa. “Todo o nosso processamento se encaixa na estratégia de virtualização.”

E não é pouco. O volume de transações diárias do Bradesco totaliza hoje cerca de 220 milhões. O Internet Banking da instituição possui mais de 900 tipos de serviços. “Necessitamos de grande capacidade de processamento. Sem a virtualização não teríamos mais espaço para abrigar o número de máquinas físicas. Sem contar com o custo disso”, diz.

Hoje, de acordo com Cezar, o centro de processamento de dados do banco trabalha somente com recursos de virtualização e servidores blade, otimizando espaço com capacidade de processamento altamente ampliada. Para o vice-presidente de Tecnologia & Inovação da Itautec, Wilton Ruas, o processo de virtualização é uma consequência da necessidade de otimizar os recursos dos bancos, que se deparam com o crescimento da demanda por seus serviços em consequência da bancarização e do aquecimento da economia.

“A tecnologia ganhou força nos últimos dois anos por questão de economia. Há a necessidade de maximizar a infraestrutura de TI. Você consegue, com ela, maior poder de processamento, além do uso otimizado da estrutura e do espaço físico.”

Segundo especialistas ouvidos pela Computerworld, o acelerado processo de virtualização dos bancos pode abrir espaço para a adoção da computação em nuvem, embora os tomadores de decisão nas instituições financeiras tenham ainda muitas dúvidas em relação a essa tendência em serviços.

“Trata-se da evolução natural do data center, que exige alta disponibilidade, escalabilidade, excelente nível de serviços e segurança”, afirma o diretor de Vendas da área de Financial Services da Oracle do Brasil, Ciro Coca. Na mesma linha, Roberto Bisca, da IBM, ressalta que a adoção da computação em nuvem pelos bancos seria uma etapa posterior natural a processos de virtualização. “O conceito de eliminar a dependência geográfica para acesso a sistemas veio com a virtualização, que evoluiu para a computação em nuvem, mais abrangente”, afirma.

No Bradesco, a virtualização é a tecnologia mais estratégica e está envolvida diretamente com o ponto nevrálgico da operação, que é o alto volume de processamento. E, de acordo com o vice-presidente executivo da instituição, é usada com inovação em variadas frentes, atendendo com propriedade às demandas de negócios. Segundo ele, virtualização cumpre todos os objetivos do banco.

“Não usaríamos nuvem pública por questões claras de segurança. Um banco precisa saber nome e endereço de quem está de posse de seus dados. Nesse modelo, eles ficam no ar.” Quanto à nuvem privada, o executivo do Bradesco, que no momento mostra-se muito bem atendido pela virtualização, não demonsta a menor necessidade de adotar cloud, mas diz estar sempre estudando novos conceitos.”

“Recente estudo da IBM mostrou que a indústria financeira está adotando tecnologias de nuvem mais rápido do que outros setores”, diz Bisca. Segundo ele, quase metade dos entrevistados do setor financeiro indicou que já usa nuvens privadas para entregar aplicações na conta, ou seja, fazer com que o usuário se beneficie disso.

O gerente de pesquisa e consultor da IDC, Anderson Figueiredo, avalia que por conta da preocupação com segurança, os bancos vão optar pela nuvem privada. “No primeiro momento, eles não colocarão nenhum de seus sistemas mais críticos, (seu core business) na nuvem. Inicialmente, irão para os sistemas periféricos. Eles não deverão ir para a nuvem pública e sim nuvem privada”, afirma.

Figueiredo informa que uma pesquisa recente da IDC, a primeira que apurou a área de cloud no Brasil, mostrou que para as empresas, os três principais fatores que aceleram a utilização da nuvem são a procura pela redução de custos, o aumento da flexibilidade dos equipamentos e a possibilidade de pagar somente pelo que utilizam. “No caso dos bancos, o que os motiva a adotar a cloud são a redução de custos e o aumento da flexibilidade”, diz.

Para o executivo da IDC, a computação em nuvem já faz parte das estratégias dos bancos, mas ainda não tem peso importante. “O momento do setor financeiro em relação à cloud é parecido quando surgiram as primeiras propostas de outsourcing há quase 20 anos. Os bancos estão ouvindo os fornecedores e o setor ainda está um pouco confuso com os inúmeros projetos de cloud que estão sendo oferecidos.”

Tudo depende, entretanto, de como se olha cloud. Para os bancos, o conceito de cloud computing acontece por meio da adoção do modelo de software como serviço (SaaS). O diretor de tecnologia da Febraban diz ser possível detectar no Brasil “algum movimento em relação aos serviços no conceito SaaS”. Uma adoção ainda irrisória, mas já é uma forma de “cloud”.

“Existe consolidação de servidores e acho que em três anos o setor irá aumentar seus investimentos nesse tipo de tecnologia”, afirma. Mas Roxo salienta que entre os bancos ainda paira certa precaução em relação à cloud. “Esbarra na segurança. É uma tecnologia que precisa de aprovação dentro de um processo decisório que ocorre nos bancos. Ainda é necessária aprovação em várias esferas.”

O Santander também não arrisca aplicações críticas na nuvem, mas adotou o modelo privado de SaaS, para disponibilizar infraestrutura à área de desenvolvimento e teste de produtos do banco. Construída pela parceira IBM, a nuvem do Santander possibilita agilizar um projeto que consumia 90 dias para horas, diz Carlos Alberto Fernandes Pinheiro, superintendente executivo de Desenho de Serviços e Arquitetura da Produban, empresa de tecnologia do Grupo Santander Brasil.

Pinheiro diz que cloud é uma variável fundamental para a competitividade, mas afirma que nem todos os serviços migrarão para o conceito. “Hoje, estamos em nuvem privada, justamente por oferecer mais segurança. Ainda assim, aplicativos vitais para a atividade fim do banco não estarão nesse ambiente”, garante e reforça: “No momento e nem mesmo no futuro”.

De acordo com José Luiz Spagnuolo, líder de Cloud Computing da IBM, responsável pelo projeto no Santander, a nuvem coloca o banco em vantagem competitiva em relação à concorrência, devido à habilidade de respostas rápidas às necessidades do cliente e do mercado. “Hoje, por meio dela, existe o provisionamento dinâmico de máquinas virtuais (IaaS) e middleware (PaaS) para os desenvolvedores.”

Resistências na nuvem

O sócio-fundador da consultoria Sciere, Edson Fregni, esclarece as resistências que ainda ocorrem. “Não creio que essa técnica [cloud computing] seja uma alternativa para os sistemas transacionais de bancos. Primeiro, porque as nuvens públicas não oferecem a segurança requerida, e construir uma nuvem privada em nada se distingue de contratar (ou ter o próprio) serviço de hospedagem.”

A técnica de cloud prevê a fragmentação dos aplicativos e das bases de dados, prossegue o executivo, de forma que os fragmentos possam ser distribuídos pela rede, em muitos diferentes servidores espalhados pelo mundo. “O banco não consegue repartir sua base de dados. Ela precisa ser centralizada. E, então, não existem muitas vantagens em quebrar as demais camadas do aplicativo.”

Wilton Ruas, vice-presidente de Tecnologia & Inovação da Itautec, prefere destacar que o conceito de nuvem é recente. “Todos ainda o estudam, principalmente os bancos, em razão da preocupação com a segurança”, diz. “Pode ter algum uso efetivo e liberar custos de TI, mas para uso externo é algo polêmico. Falta confiança”. Segundo ele, a computação em nuvem precisa “alcançar a maturidade”, o que faria com que os bancos tivessem a percepção de que há no mercado uma solução “adequada e comprovada”.

Na opinião do diretor de Tecnologia da Febraban, Gustavo Roxo, está nas mãos dos fornecedores a responsabilidade de fomentar a adoção da nuvem entre os bancos. “Falta proposta de valor por parte deles, que deveriam oferecer serviços criativos e adequados à nossa realidade.” Ele dá o exemplo da gestão do gasto com a tecnologia, que deveria “ser transparente”.

O executivo destaca ainda a segurança como questão que deve ser melhor esclarecida, visto que os bancos ainda não têm a percepção exata do que está sendo oferecido atualmente. “Já há ofertas de cloud bastante seguras. Acontece que existe desconhecimento em relação ao que o mercado está oferecendo. Acredito que a partir de iniciativas pioneiras, a tendência será de mais clientes querendo usar.”

Mobilidade

Os dispositivos móveis estão redesenhando o cenário dos negócios em muitas corporações e também a forma tradicional de proteger dados corporativos. A sua aceitação é explosiva e inevitável. Não é diferente nos bancos. Segundo a Febraban, o mobile banking ainda engatinha, mas registrou aumento de 72% em 2010, com 2,2 milhões de contas. Foi a primeira vez que a entidade divulgou dados de mobile banking em separado do internet banking – a entidade aponta que a internet foi o canal utilizado em 12,9 bilhões de transações efetuadas pelos bancos no ano passado.

O Bradesco Celular, produto de mobile banking que está no ar desde 2000, já possui cadastrados 1, 2 milhão de usuários, de acordo com o vice-presidente executivo do Bradesco Laércio Albino Cezar. “Já temos 300 mil usuários cativos, os que usam ao menos uma vez o serviço a cada 90 dias”, diz e acrescenta que por meio dele são realizadas 161 mil transações por dia.

Somente em home broker, o Bradesco possui 900 mil clientes cadastrados, que realizam 18 mil transações por dia. “O mais importante é que desse montante, mais de 50% são efetivadas, ou seja, têm negócios fechados”, garante Cezar.

Na opinião do executivo, é vital para o banco estar em linha com as tecnologias emergentes e por essa razão são foco de investimentos. “Aos nossos clientes, oferecemos uma série de sites e vantagens como aplicações que podem ser baixadas na Apple Store online, para uso em smartphones e iPads. Até hoje, já foram realizados mais de 270 mil downloads.”

Para os especialistas, o aumento da importância dos dispositivos móveis se deve à melhoria da sua usabilidade. Além disso, houve considerável incremento de pessoas com acesso a esses produtos. Roxo informa, por exemplo, que a Febraban já definiu toda a arquitetura e os processos básicos para os bancos aplicarem o conceito de mobilie payment. No entanto, sua utilização ainda é pequena. “Os pagamentos móveis são mais presentes em mercados em desenvolvimento. Isso não aconteceu nos países desenvolvidos, onde a taxa de bancarização é muito superior”, explica. O diretor de Tecnologia da Febraban diz que para os bancos, a mobilidade pode significar venda de serviços financeiros. “Cada vez mais, o cliente não quer ir ao banco. Quer o máximo de conveniência. O dispositivo móvel pode ampliar essa facilidade”, completa. Wilson Ruas, vice-presidente de Tecnologia & Inovação da Itautec, destaca a importância de os bancos se adaptarem à nova geração de clientes.

Nesse momento particular, o setor no Brasil vivencia o desafio de captar a população não bancarizada, bastante expressiva, de cerca de 50 milhões de pessoas. “Se as instituições não tiverem planejado e inovado, não vão obter sucesso nessa empreitada. Vão perder competitividade”, afirma Bisca. Segundo ele, as tendências em TI para os bancos são fundamentais para garantir a competitividade nos próximos anos. “Os assuntos estão muito ligados à business analytics, social business, computação em nuvem e também métodos de pagamento alternativos com mobilidade. O objetivo principal é o aumento da base de clientes de forma rentável e estruturada.”

Gastos com telecomunicações

Segundo pesquisa da Febraban, em 2010 os gastos com telecomunicações cresceram 15%, para 4,8 bilhões de reais. Esse valor representou 22% do total dos gastos e investimentos do setor em tecnologia no ano passado, atrás apenas do que foi direcionado para hardware, que teve um peso de 29%.

Segundo Roxo, a maior parte dos gastos com telecomunicações é com links de comunicação de dados e o aumento é explicado pela capilaridade crescente do setor financeiro. Além disso, há a correção dos contratos firmados com os fornecedores e os investimentos no aumento da banda utilizada pelos bancos.

“Para cada novo ponto de atendimento, é necessário um link de comunicação. A pesquisa apurou, por exemplo, que o número de agências e postos tradicionais cresceu 1%, o de postos eletrônicos subiu 9%, e o de correspondentes bancários aumentou 11%. Para cada novo ponto, há um novo link.”

Segundo o executivo da Febraban, geralmente os contratos dos bancos com seus fornecedores de serviços de telecomunicação preveem reajuste anual balizado pelo IGP-M. “Talvez, sete pontos percentuais dos 15% de crescimento em 2010 estejam relacionados aos reajustes contratuais. O aumento da banda de links existentes se deve à necessidade de atender à expansão dos bancos.

“Cresceu o número de clientes. Com isso, o banco terá de investir na ampliação de tecnologia para voz e dados”, informa. O executivo também destacou que contratar banda larga e infraestrutura de telecom continua muito caro no Brasil e que o ritmo de queda do custo da banda larga no País continua muito mais lento que o do aumento da demanda por conexão. Para ele, a infraestrutura nacional de telecom é uma das barreiras para a expansão do internet banking.

É importante destacar que já se pode afirmar que a relação dos bancos com os serviços de telecomunicações está “madura” e, atualmente, não se espera que as instituições mudem suas estratégias. “Entre 2000 e 2005, praticamente todos os bancos terceirizaram suas redes de comunicação. Hoje, ninguém mais discute estrategicamente se vale a pena ter sua própria gestão de telecomunicações ou terceirizar, porque todo mundo está terceirizado”, finaliza o diretor de Tecnologia da Febraban.

 
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