06 Junho 2017

Parte 2: As múltiplas formas da tecnologia em programas educacionais

Escrito por  Publicado em Blog

Na Parte 1 deste texto eu argumentava que nestes tempos de crise as corporações necessitarão de treinamento de qualidade comprovada a custos menores.  Entendendo que um programa de treinamento tem boa qualidade se cumpre seus objetivos, se habilita os alunos a realizar as tarefas para as quais o programa se propunha capacitá-los.

 

 E a parte 1 concluía que, nestes tempos difíceis, o desafio de toda empresa de treinamento é demonstrar que a qualidade de suas ofertas é melhor a custos menores. E essa façanha só pode ser alcançada com a adoção e incorporação criteriosa de recursos tecnológicos. Porque é a tecnologia que, quando bem aplicada, tem o poder de melhorar a qualidade a custos menores.

São incontáveis as diferentes maneiras de incorporar tecnologia da educação. Na medida em que novos métodos são testados e entendidos, as formas alternativas de conteúdo e de dinâmica dos programas educacionais crescem aceleradamente e se diversificam. Por exemplo, pode-se ter conteúdo mais tradicional na forma de livro eletrônico, pode-se utilizar vídeos, animação. Meios para interação entre os estudantes são usuais, especialmente aqueles que incorporam jogos educacionais online.

E existem as diferentes dinâmicas, com formatos de cursos individuais onde o conteúdo e as atividades se sucedem conforme o andamento e o desempenho demonstrado pelo estudante. São as dinâmicas adaptativas. E, tratando-se de educação de adultos, a tecnologia permite oferecer a eles a necessária autonomia para decidir o que querem aprender e como querem aprender.

Essa riqueza e abundância de formas e dinâmicas torna a tecnologia ao mesmo tempo poderosa, mas complexa. Além do que adoção indiscriminada desses recursos pode ter impacto diferente do desejado, até mesmo negativo. Por isso, eu acredito que é preciso ganhar experiência antes de seguir por caminhos mais disruptivos. Deve-se iniciar pelo básico.

 

Os primeiros passos na adoção da tecnologia

 Assim, para quem começa no mundo da educação suportada por tecnologia é importante mirar no essencial. Conquistado o essencial, pode-se então enriquecê-lo em novos passos.

 

O essencial aqui significa entender como organizar as ofertas de treinamento, na forma de programas com apoio de recursos tecnológicos. Um programa educacional, materializado em trilhas de cursos, descreve como um grande assunto é organizado, numa sequência de diferentes cursos ou atividades, que podem existir em formatos presenciais e online.

 

Uma trilha, ou grade curricular, não precisa ser composta apenas de cursos propriamente ditos, pode incorporar outros mecanismos educacionais, como tutoria e comunidades de aprendizagem (social learning). Esses diferentes componentes da trilha se tornam ainda mais importantes quando o programa educacional é aplicado enquando o estudante realiza seu trabalho (on the job training). 

 

artigo 2.1

 

Embora óbvios, esses conceitos são essenciais para um bom planejamento do processo educacional.  Conforme apresentado na figura, um programa educacional, que se organiza em trilhas, pode ter três componentes básicos:

CURSOS  - são sequências de atividades que um estudante deve realizar, que têm um início e um final. As atividades podem ser acesso a conteúdo, aulas, provas, exercícios, projetos, etc. Os cursos podem ser puramente online ou com aulas ao vivo (presenciais ou transmitidas à distância).

COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM – são ambientes de aprendizagem, onde os membros de um grupo interagem, compartilham visões e informações, debatem ideias e realizam trabalhos colaborativos. Numa empresa as comunidades mais típicas são as de prática (congregando membros que se ocupam de uma particular função na empresa), de inovação e de interesse (focando em um certo tema de interesse dos membros).

MESTRE/APRENDIZ  -  esses são processos educacionais onde um especialista (mestre, coach ou tutor), interage de maneira individual com os estudantes. Esta forma é particularmente importante para o aprendizado no trabalho, onde o papel do mestre é corrigir e orientar o aprendiz no exercício de suas atividades normais.

Observa-se hoje que a tecnologia permite apoiar ou realizar de maneira eficiente todos esses mecanismos de aprendizagem. Com a tecnologia não apenas tais processos se enriquecem, mas podem se dar sem as fronteiras geográficas e sem os limites de horários. Além disso, processos apoiados em tecnologia permitem que se capturem informação essencial para os educadores acompanharem em tempo real o desempenho de cada estudante individualmente, de cada professor e de cada autor. Esse gerenciamento permite que se melhore continuamente a qualidade e se reduzam os custos.

A tecnologia de maneira essencial em cursos

O que se se assiste na prática é que o componente central de um programa de aprendizagem são cursos. As comunidades e os processos de tutoria, em geral, complementam o aprendizado que se deu nos cursos.

Um curso presencial, aquele com professor em sala de aula, pode ser híbrido quando conta com apoio de sistema online. O sistema LMS (plataforma tecnológica para educação) apoia as aulas distribuindo conteúdo, apresentando exercício para os estudantes, realizando provas, e até, transmitindo as aulas para estudantes remotos.

Já os cursos puramente online dispensam as instalações de escola (salas de aula) e os estudantes podem fazer os cursos de suas casas. Esses podem ser oferecidos individualmente ou para turmas que seguem o conteúdo e os discute. Tais cursos podem ter ou não apoio de tutores ou especialistas, tirando dúvidas dos alunos e participando de discussões.

Que é fazer melhor e com menor custo o que faz uso, incorporando a tecnologia onde, de fato, for trazer valor.

Existe sempre uma pergunta sobre a eficácia do formato online puro versus a eficácia do formato presencial (conduzido por um professor). Outra dúvida é a comparação entre a eficácia do formato online individual em comparação com a eficácia do formato online para turmas. Isso porque os diferentes formatos têm vocações específicas – é como comparar laranjas com bananas. É assim que vejo:

ONLINE PURO, INDIVIDUAL – esse é o formato que apresenta limites em seu alcance. É, em geral, recomendado para cursos operacionais ou muito introdutórios. Tipicamente programas de treinamento em tarefas. Pode explorar a repetição, o treinamento por exercícios. É mais eficaz quando o andamento do conteúdo for definido pelo próprio desempenho dos estudantes. Para que não seja maçante utilizam-se animações, vídeos, sempre em pílulas de conteúdo.

ONLINE PURO, EM TURMAS – ótimo para assuntos conceituais, mais profundos, porque a discussão dos temas pela turma facilita o entendimento de ideias e conceitos. Pode explorar trabalhos em grupos, tanto conceituais quanto práticos. Necessita de tutores ou professores assistentes acompanhando e estimulando as discussões. Por isso a eficácia do programa é muito dependente desses tutores. Quando o tutor é bem preparado os resultados são muito melhores.

PRESENCIAL COM APOIO ONLINE – como o formato online para turmas, este formato é ótimo para temas mais profundos e conceituais. Porem ele depende demasiadamente do professor em sala de aula. O bom professor em cursos híbridos (sala de aula + online) é profissional ainda difícil de se encontrar. Na atual geração os professores foram treinados, desde sua fase de alunos, em modelos educacionais exclusivamente presenciais.

A riqueza de recursos tecnológicos

É essa riqueza de formatos e dinâmicas que está revolucionando o aprendizado. Observa-se que a cada ano novas ideias, novas formas e novas dimensões surgem. A internet das coisas irá facilitar o treinamento no trabalho. Por exemplo um motorista poderá aperfeiçoar sua maneira de dirigir com a ajuda do próprio veículo. Robôs, em especial os de software, serão um importante recurso de educação, permitindo que a tutoria possa ser totalmente online. Isso já começa a acontecer com robôs de software a para facilitação e moderação de discussões em fóruns. O uso de jogos educacionais online está na sua infância.

Isso potencializa o alcance e a profundidade dos processos educacionais. Mas sou da opinião que uma empresa de treinamento não precisa preocupar-se com tais modernidades. O que se deve fazer, nestes tempos de crise  é focar no essencial. 

 

artigo 2.2

 

 LMS  – o sistema de veiculação e gerenciamento de processos de aprendizagem

A adoção de recursos tecnológicos aos programas educacionais é facilitado por sistemas chamados de LMS – Learning Management Systems, ou AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem. A sigla inglesa parece ter se incorporado ao jargão do mundo da educação.

Um LMS permite que se organizem os conteúdos em cursos e os veicula para alunos matriculados em ofertas desses cursos. E organiza cursos em trilhas. E permite a gestão completa dos processos e dos estudantes.

Existem muitas opções para a escolha de um LMS. Minha sugestão é que a empresa de treinamento deve pesquisar as alternativas, conversar com especialistas para tomar uma decisão criteriosa. A escolha do LMS é estratégica para toda empresa de treinamento.

 

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